O que é o fator de dobra dentro da análise de ruídos?

Trabalhador usando capacete de segurança amarelo e óculos de proteção transparentes, ajustando protetores auriculares amarelos sobre os ouvidos com as mãos. Ele veste uma blusa de trabalho escura com detalhes azuis. Na parte inferior, uma faixa verde com o texto "Ruído no Trabalho: O Que é o Fator de Dobra e Como Aplicá-lo?".

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Qualquer um que trabalha na SSTouviu, com perdão ao trocadilho, muito falar sobre os ruídos presentes no ambiente de trabalho e com certeza precisou avaliar a exposição ocupacional ao ruído e determinar os limites de exposição seguros para os trabalhadores. Consequentemente, tratou sobre o “fator de dobra” que representa valores de um incremento de duplicação de dose dos níveis médios de ruído de 3 dB (q3) e 5 dB (q5).

Na legislação brasileira, a NHO-01 da Fundacentro utiliza o fator de dobra de 3 dB (q = 3), enquanto a NR-15 utiliza 5 dB (q = 5). Isso significa que, de acordo com a NHO-01, um aumento de 3 dB na intensidade do ruído implica na redução da metade do tempo de exposição seguro, enquanto na NR-15, esse aumento é de 5 dB. 

Entender este conceito é crucial para as análises quantitativas de ruídos com estes fatores sendo bem importantes dentro dos programas de prevenção como, por exemplo, o PGR e o PCA. Além disso, a determinação de níveis médios de ruído ajustados auxiliam a tomada de decisão para reduzir os impactos na saúde dos trabalhadores.

Para falar um pouco do fator de dobra e explicar como ele funciona e quando deve ser aplicado, preparamos o artigo que você pode conferir a seguir.

O que é o fator de dobra?

O Incremento de Duplicação de Dose (q), conhecido também como fator de dobra é um parâmetro de incremento em decibéis que, quando adicionado a um determinado nível, implica na duplicação da dose de exposição ou na redução para a metade do tempo máximo permitido.

É fundamental na avaliação da exposição de um trabalhador ao ruído determinar o quanto a duração permitida de exposição ao ruído deve ser reduzida quando o nível de ruído aumenta em certa quantidade de decibéis.

Resumindo, o fator de dobra nos responde à pergunta: “Por quanto tempo um trabalhador pode ficar exposto ao ruído se ele aumentar em X decibéis?”

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O q3 e o q5, qual a diferença?

Na literatura são apresentados dois (2) fatores de dobra (q = 3 e q = 5) que devem ser considerados como parâmetro de avaliação da exposição ocupacional ao ruído.

O Fator de dobra q3 é o critério usado pela NHO-01 da Fundacentro, nele, para cada aumento de 3 dB no nível de ruído, o tempo de exposição permitido é reduzido pela metade. Por exemplo, se o limite para 85 dB é de 8 horas, para 88 dB seria de 4 horas, para 91 dB seria de 2 horas, e assim por diante. É um critério mais conservador e protetivo.

O outro Fator de dobra proposto é q5, cujo critério é proposto pela NR 15, no caso deste, o tempo de exposição é reduzido para cada aumento de 5dB. Por exemplo, se o limite para 85 dB é 8 horas, para 90 dB seria 4 horas, para 95 dB seria 2 horas, e assim por diante.

Qual Fator de Dobra Usar?

A escolha do fator de dobra depende da legislação e das melhores práticas adotadas. No Brasil, a NR-15 utiliza o fator de dobra de 5 dB, porém, diferentes profissionais e especialistas em segurança do trabalho recomendam o uso do fator de dobra de 3 dB por ser mais protetivo, especialmente para análises e recomendações internas.

Como o Fator de Dobra é Aplicado na Prática?

Engenheiros de segurança e técnicos utilizam o fator de dobra para realizar medições de ruído por meio de dosímetros e decibelímetros. Neste caso, são coletados dados sobre os níveis de ruído ao longo da jornada de trabalho.

A duplicação da dose de exposição é incrementada ao calcular a dose de ruído. Isto é, com base nos níveis e tempos de exposição, é calculada a dose diária de ruído que o trabalhador recebe.

Com as avaliações é possível desenvolver programas de conservação auditiva. Neste caso, se a dose de ruído exceder os limites permitidos, medidas de controle são implementadas, como uso de EPIs, adequações na fonte geradora, EPCs e outras medidas como pausas, etc.

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