
Estamos em ano de Copa do Mundo e literalmente todos queremos ver os jogos de futebol. Nisso, poucos lembram que os estádios são também ambientes de trabalho. Por trás da competição, os jogadores são funcionários protegidos por lei, o que torna o debate sobre a SST para atletas profissionais indispensável.
Quando pensamos na SST, a primeira coisa que vem em mente é um canteiro de obras ou uma fábrica cheia de maquinários e EPIs. No entanto, um campo de futebol ou uma pista de atletismo também são ambientes de trabalho, pois os atletas são também trabalhadores.
Aproveitando o clima da Copa do Mundo de 2026, neste blog, vamos explorar como as nossas Normas Regulamentadoras (NRs) se aplicam ao ambiente esportivo e o que acontece quando um atleta se lesiona, confira a seguir!
A SST para Atletas na Legislação
Devido à toda exposição, às carreiras curtas, as quantidades exorbitantes que giram em torno de alguns contratos esportivos e, principalmente, à paixão de torcida envolvida, é comum pensarmos que os atletas não estão sob direitos trabalhistas.
E, na verdade, a legislação brasileira é muito clara sobre o assunto: o atleta profissional com contrato de trabalho assinado é regido pela CLT com as especificidades regidas pela Lei Geral do Esporte n. 14.597, de 14 de junho de 2023.
Ou seja, além de salários e direitos de imagem, os clubes onde os profissionais treinam, têm o dever legal de garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável para seus atletas, da mesma forma que uma construtora precisa garantir isso aos seus funcionários.
Lesão em Campo é Acidente de Trabalho?
Legalmente, uma lesão sofrida por um atleta profissional enquanto exerce sua profissão é considerada um acidente de trabalho. Neste caso, é considerado o exercício da profissão as situações:
- Partidas oficiais e amistosas;
- Treinos;
- Períodos de concentração;
- Viagens a serviço do clube (acidente de trajeto).
Lesões de atletas tanto são acidentes, que sempre que um atendimento médico ou afastamento é demandado, o Clube é obrigado a emitir a CAT sob as mesmas regras que já estamos acostumados.
Outro ponto comum para profissionais de SST que também é direito dos atletas, se o afastamento do atleta for superior a 15 dias, ele passa a receber o benefício por incapacidade temporária pelo INSS, o que também garante a ele a estabilidade provisória no emprego por 12 meses após seu retorno.
Os riscos monitorados pela SST para atletas
A maior diferença da SST para atletas para a SST “comum” que mais conhecemos é a natureza dos riscos e como os profissionais são expostos, enquanto em uma fábrica o calor, por exemplo, deve ser evitado, para atletas isso é algo inevitável, então o gerenciamento deve ser muito eficiente.
Além disso, o corpo de atletas de alto rendimento é levado ao limite, o esforço físico intenso é parte da rotina de treinos, por isso o acompanhamento médico deve ser constante.
Os principais riscos que devem ser gerenciados pela equipe de SST de um clube são principalmente ligados ao esforço intenso e às condições do ambiente.
1. Riscos Ergonômicos e Biomecânicos
A análise ergonômica de um time de vôlei, não vai olhar para a altura da rede como nos escritórios, medimos a altura do monitor, isso está nas regras do jogo, mas a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) deve se voltar para a execução de movimentos.
Uma análise de riscos passa pela identificação dos movimentos repetitivos repetidos à exaustão como, por exemplo, chutes, arremessos, saltos, atividades dos esportistas que podem causar lesões de LER e DORT.
Para prevenir é necessário que a avaliação biomecânica seja individualizada, o controle de carga de treinos seja acompanhada por profissionais especializados e que as atividades sejam planejada. Além disso, a fisioterapia deve ser aplicada de forma preventiva.
2. Riscos Físicos
Muitos jogos e treinos podem acontecer sob condições meteorológicas extremas, tais como, sol do meio-dia no verão brasileiro ou até mesmo abaixo de neve em países com invernos rigorosos.
Nestas condições é o risco é associado a desidratação severa, insolação, choque térmico e queda brutal de rendimento físico que induz a outras lesões no corpo.
A prevenção é iniciada com o monitoramento do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG). A aplicação de pausas obrigatórias para hidratação, uma novidade na Copa do Mundo de 2026, é mais do que apenas uma regra da federação, é uma medida essencial de higiene ocupacional.
3. Riscos Psicossociais e de Saúde Mental
A cobrança pública, a pressão das torcidas e a necessidade constante de performance colocam os atletas em um grupo de altíssimo risco para distúrbios psicológicos. Neste caso, o risco está associado com crises de ansiedade, depressão e a Síndrome de Burnout.
A prevenção é uma medida efetiva para promover a Saúde Mental dos Atletas e a partir do apoio psicológico contínuo integrado com os profissionais que atuam na SST, canais de escuta ativa e gerenciamento de estresse antes e depois de campeonatos.
A Copa do Mundo de 2026, que está sendo realizada no Canadá, Estados Unidos e México, entrou na reta final, é uma edição histórica que ficará marcada por celebrar a união entre diferentes nações, mostrando que o esporte integra pessoas e que podemos nos inspirar para prevenir a SST em todos os locais de trabalho.

