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Indústria: Tudo o que precisamos saber

Basicamente tudo o que consumimos nos dias de hoje, desde os alimentos que comemos, aos talheres que usamos para isso, são provenientes de uma cadeia produtiva e passam por um processo de industrialização. Aposto que você já ouviu essa expressão exaustivamente na matéria de história na época de escola e também já deve ter ouvido diversas vezes vendo o jornal ou lido em diversas publicações, estou certo?

As indústrias são um assunto muito popular e de extrema importância para a economia e sociedade, atualmente, pois basicamente, qualquer atividade tem como objetivo transformar matéria-prima, com ajuda de máquinas ou recursos de transformação, em algum tipo de bem de consumo, pode ser chamada de processo de produção.

Um processo de produção é um ambiente de trabalho que reúne recursos tecnológicos (materiais, máquinas e equipamentos), humanos (trabalhadores, consumidores e clientes) e informações (necessidades, demandas e requisitos) que agregam valor e tem a capacidade de transformar em produtos que atendem necessidades dos clientes.

É isso mesmo, ou seja, basicamente tudo o que consumimos, passa por um processo de produção ou industrialização. Mas o que é exatamente a indústria? Onde e como surgiu? Existe mais de um tipo de indústria? Se sim, quais são os diferentes tipo de indústria? Portanto, se você possui essas dúvidas ou pelo menos alguma delas, fica aqui com a gente nesse post pois vamos explicar tudo isso e muito mais.

Estudar as características de uma indústria é fundamental para estabelecer uma política de Segurança e Saúde do Trabalho mais adequada ao ambiente de trabalho. Além disso, entender sobre esse ambiente permite construir planos e programas com base na cultura da indústria, características do ambiente de trabalho e perfil educacional e social dos trabalhadores.

No post de hoje nós iremos falar sobre:

O que é Indústria?

Bom, denomina-se indústria, o conjunto de atividades realizadas pelo homem, de maneira organizada, com o uso de máquinas e ferramentas, enquadrando os mais diversos tipos de atividades e locais, com a finalidade de transformar matéria prima em bens de consumo.

História da industrialização

A industrialização é um processo antigo na humanidade, ainda durante a idade média, já começamos a nos organizar e alterar os meios de produção, porém o sentido da palavra industrialização, vai um tanto além disso, os impactos causados pela industrialização vão desde novas formas de organizações sociais, guiadas pela lógica do lucro , fazendo com que as relações sociais passem a fazer parte da economia.

O processo de industrialização no mundo começou a se alavancar, com a conhecida Primeira Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra, logo após o surgimento das primeiras máquinas movidas a vapor e mais um combinado de contextos históricos que resultaram nesse grande capítulo da nossa história. Mas enfim, vamos contextualizar um pouco mais este assunto, pra ninguém ficar perdido.

Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial, teve seu início na Inglaterra, entre os anos de 1760 e 1830, e é marcada pela passagem dos processos de produção artesanais para os processos auxiliados com novas máquinas, os quais no decorrer desses anos passaram a ser conhecidos como “processos industrializados”.

Alguns contextos sociais da Inglaterra naqueles tempos foram de suma importância para que eles fossem os pioneiros dos processos de industrialização, Alguns deles são:

  • No meio do século XVIII, a implantação do liberalismo, incentivado por Adam Smith, como política econômica, descentralizou todo o comércio e a indústria, fomentando cada vez mais a entrada de novos concorrentes no mercado.
  • A Revolução Inglesa, que foi uma das Revoluções Burguesas, ocorrida anos antes, impulsionou o enriquecimento britânico, dando condições para os burgueses, adquirirem matéria prima, investirem nas novas tecnologias e financiarem as fábricas.
  • As principais matérias primas da época eram o carvão e o ferro e a Inglaterra possuía grandes reservas dos dois.
  • A lei dos cercamentos de terras, que consistia em transformar antigas terras dos senhores feudais em pastos para ovelhas (a lã também era importante para a expansão comercial inglesa), acabou provocando um grande êxodo rural, que resultou numa grande disposição de mão de obra.

No entanto, o início desta revolução está intimamente ligado à uma gama de inovações tecnológicas da época, o advento das máquinas movidas a vapor, acelerou todo o processo produtivo, gastando até um décimo de combustível do que era gasto antes, fazendo com que o número de bens produzidos aumentassem em enorme escala. Na área têxtil, o tear mecânico movido a vapor, aumentou a produção de um trabalhador em cerca de 500 vezes. A chegada do motor a vapor também foi de grande importância na fabricação de ferro, ele passou a ser usado para bombear água e propulsionar o ar da combustão, aumentando consideravelmente a produção de ferro da época.

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Motor a vapor, criado por James Watt

Todo esse avanço tecnológico começou a dar poder aos que possuíam essas novas máquinas, o que foi fazendo com que as primeiras indústrias começassem a surgir, e os antigos artesãos, que antes eram responsáveis por todas as etapas do processo produtivo, passaram a se tornar operários destas máquinas, trabalhando para os donos dos novos meios de produção que aí estavam surgindo.

Toda essa mudança repentina, impactou a sociedade de inúmeras formas, a população de Londres, passou de 800.000 pessoas em 1780 para mais de 5 milhões de pessoas em 1880, as relações de trabalho impulsionaram o surgimento de diversas teorias econômicas, como por exemplo, o socialismo, as péssimas condições de trabalho nas fábricas, deram início aos primeiros movimentos pelos direitos dos trabalhador, que mais tarde culminaram na criação da cultura de SST.

Segunda Revolução Industrial

A chamada Segunda Revolução Industrial, durou da metade do século XIX, por volta dos anos de 1850 e 1860, até o começo da Segunda Guerra Mundial e é marcada principalmente pelo aparecimento da Alemanha e dos Estados Unidos como potências industriais.

Por ela não ter causado uma ruptura tão grande na estrutura econômica e social, ela pode ser considerada como uma “evolução” da primeira revolução, algo que pode ser confirmado também pelo fato de que as tecnologias da segunda revolução foram aperfeiçoamentos das anteriores.

Enquanto na Primeira Revolução Industrial, os motores a vapor, usando carvão como combustível, moviam as indústrias, na segunda, um novo tipo de motor veio a tona, o motor de combustão interna, que agora ao invés de carvão, usava o petróleo como combustível. Esse novo tipo de motor foi peça chave para os avanços dessa época, impulsionando a produção a níveis nunca antes vistos.

Nos EUA, e eletricidade surgiu, o Taylorismo deu uma nova ótica de organização do trabalho nas indústrias, diminuindo ainda mais o tempo de produção dos bens e aumentando a eficiência das fábricas e Henry Ford revolucionava a indústria automobilística, com os Ford modelo T, que passavam a ser fabricados em uma linha de produção.

Exemplo de um Ford Modelo T, um dos maiores símbolos do avanço da industrialização nos EUA

Na história mais recente, temos nos anos seguintes à Segunda Guerra, o invento dos computadores, da internet e o estudo da energia nuclear, que se caracterizam como uma terceira etapa dessa evolução das indústrias, ou como uma Terceira Revolução Industrial. E ainda mais recentemente, temos a Indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, que é caracterizada pela tecnologia de armazenamento em nuvem, pela conexão das coisas do nosso cotidiano com a internet, entre outras tecnologias modernas.

Organização do Trabalho

Com o grande avanço das indústrias, passou a se ter uma necessidade de aumento de eficiência, quanto mais produzir em menos tempo, melhor! Com isso, formas de organizar o trabalho dentro das indústrias passaram a ser necessárias.

Taylorismo

Desenvolvido por Frederick Taykor, é um conjunto de técnicas de produção, que consistem em que o funcionário desenvolva apenas a sua tarefa de maneira simples e repetitiva, sem precisar ter o conhecimento de todo o processo produtivo. O trabalho passava a ser dividido por cargos, e cada cargo tinha sua tarefa a realizar, dividindo o trabalho de maneira lógica, o estudo da fadiga humana passou a levar em conta que um trabalhado cansado produz menos e o conceito de homem econômico, que diz que o homem é motivado por recompensas materiais, aumentou o salário da época e disponibilizou incentivos salariais com base na produtividade.

Fordismo

Modelo de produção desenvolvido por Henry Ford, que adotava as práticas do Taylorismo de forma mecanizada, através da linha de montagem, que consistia em uma esteira mecânica, que trazia as peças dos carros e cada operário realizava apenas uma ação, ficando parado em frente a esteira. As linhas de montagens não exigiam nenhuma especialização do operário, facilitando a contratação e em caso de algum problema, era fácil de identificar em qual etapa do processo ele ocorreu. O fordismo também adotou o estoque, pois na época a massa consumidora dos EUA era numerosa.

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Exemplo de linha de montagem retratada no icônico filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin

Toyotismo

O Toyotismo é um modelo que foi desenvolvido nas fábricas da Toyota, no Japão pós Segunda Guerra Mundial, como eles não podiam adotar o Fordismo, devido a uma pequena massa consumidora e pouco acesso a matéria prima. Neste modelo, o trabalhador pode escolher como realizar seu trabalho da melhor forma e se divide em equipes que se autogerenciam e que são responsáveis pelo que produzem e por seus respectivos operários. Pelo fato de focar a taxa de consumo (demanda), busca-se produzir apenas o necessário, reduzindo os estoques e buscando maximizar a qualidade.

Setores da indústria

No contexto da Revolução Industrial, podemos notar muito a indústria de manufatura, pois ela se tornou um setor fundamental na época para os Estados Unidos e alguns países Europeus. Porém, a indústria caminha junto com os avanços tecnológicos e continua se desenvolvendo em novos setores. As indústrias podem ser divididas basicamente em quatro setores, conforme segue:

  1. Primário: É o que envolve a extração de recursos direto da terra, incluindo Agricultura, Pecuária, Mineração, Caça, etc. Este setor não processa os produtos extraídos, apenas os repassa para fábricas, em sua grande maioria do setor secundário, visando o lucro;
  2. Secundário: Esse setor é onde as matérias primas extraídas no setor primário são processadas e transformadas em bens de consumo ou em máquinas para serem usadas no próprio setor secundário. Vai desde as refinarias de metais as que empacotam produtos vindos da agropecuária;
  3. Terciário: Esse é o setor que corresponde ao comércio de bens e à prestação de serviços. Vai desde o comércio de mercadorias até à administração pública, passando por educação, saúde, transporte, atividades financeiras e imobiliárias, etc;
  4. Quaternário: É como se fosse uma expansão dos outros três setores e envolve a pesquisa científica e tecnológica

Tipos de indústria

As indústrias são divididas em três grupos, que são:

  1. Indústria de base: É a indústria que tem sua produção utilizada por outras indústrias, é dividida entre Indústria metalúrgica e Indústria Química, também conhecida como indústria pesada, é a que capta a matéria prima bruta e a transforma em produtos semi-elaborados para serem usados pelas outras indústrias. Por exemplo a metalúrgica que produz o aço que será utilizado posteriormente para fabricação de ferramentas, motores, trilhos de trem, etc;
  2. Indústria de bens intermediários: É que produz as máquinas, equipamentos e outros produtos que serão incorporados aos bens de consumo finais ou até mesmo nas próprias indústrias de bens intermediários. Nos bens intermediários se incluem, produtos avindos da metalurgia, papel, borracha, componentes elétricos, etc;
  3. Indústria de bens de consumo: É a indústria que transforma ou incorpora os bens intermediários nos bens de consumo, que são os bens que as famílias e indivíduos consomem. Incluem-se nos bens de consumo os automóveis, comidas, produtos de limpeza, roupas, móveis, etc. Geralmente localizadas próximas aos centros urbanos no intuito de facilitar o acesso dos consumidores.

Fatores de locação

Para uma indústria se estabelecer em determinado local ela depende de alguns fatores que irão influencia na locação. Cada tipo de indústria precisa de alguns fatores de maneira mais intensa que outras, todas precisam de coisas mais básicas como facilidade para transporte e uma boa rede de comunicação, mas por exemplo: as indústrias de base, como as extrativas, precisam das matérias primas, ou pelo menos proximidade delas, e de energia mais do que outras coisas, indústrias de tecnologia precisam de mão de obra qualificada, já as de bens de consumo precisam estar próximas ao mercado e assim por diante.

Esses fatores de locação vão mudando conforme o tempo, na Primeira Revolução Industrial, por exemplo, como já dito anteriormente, as indústrias precisavam de carvão mineral e aço em abundância, atualmente, com exceção das indústrias siderúrgicas, esses dois insumos já não se fazem tão necessários. Com a tecnologia evoluindo à passos largos, atualmente a mão de obra qualificada se torna um fator importante, junto com coisas como a internet, um bom mercado consumidor, etc.

As indústrias no Brasil

A indústria no Brasil é recente em comparação com os países que citamos quando contávamos a história das revoluções industriais, apesar de algumas indústrias extrativas terem começado a se desenvolver no país ainda no período colonial, foi a partir de meados da década de 1930 até o fim de 70 que nosso país passou por um grande processo de industrialização, graças à políticas de substituição de importação adotadas pelo estado.

Grande parte da indústria brasileira está concentrada nas regiões sul e sudeste, sendo o estado de São Paulo detentor de pouco mais de 40% dos estabelecimentos industriais nacionais. A indústria brasileira varia de automóveis, aço, petroquímicos, aeronaves e bens de consumo duráveis.

Atualmente, o Brasil vem passando por um processo de desindustrialização, a participação da indústria no PIB, vem caindo ano após ano. No fim dos anos 80, a indústria era responsável por cerca de 46% do PIB nacional, já em dados mais recentes, a fatia do PIB referente a indústria é a menor desde 1947, ano em que não haviam estes dados registrados, os dados incluem apenas a indústria extrativa, de transformação, construção civil e serviços industriais.

SST nas indústrias

Como em qualquer ambiente de trabalho, manter o trabalhador seguro é essencial também nas indústrias e os riscos em algumas são mais altos do que em outras. As recomendações para manter a Segurança e Saúde do Trabalho nas indústrias e evitar acidentes de trabalho, no geral são as mesmas, desde introduzir uma cultura de segurança ao uso correto do EPI.

No entanto, em alguns setores da indústria, as consequências da falta de segurança podem atingir muito mais do que somente os trabalhadores, em indústrias químicas, petrolíferas e de produção de energia, acidentes podem tomar grandes proporções e os estragos podem ser imensuráveis.

Na história, temos exemplos de grandes desastres, como, vazamentos de óleo no mar, o da Usina de Chernobyl, o qual nunca se saberá ao certo quantas mortes causou e tornou a área em volta da Usina inabitável por até 20 mil anos, e também temos o vazamento de gás em Bhopal, na Índia, que matou mais de 8 mil pessoas em 3 dias.

No Brasil, 2019, foi marcado pelo rompimento de mais uma barragem da mineradora Vale S.A. e é considerado um dos maiores acidentes de trabalho das nossas indústrias. É um acidente de trabalho que aconteceu na cidade de Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro, e a tragedia, em 27 de maio, tinha gerado 244 vitimas fatais e ainda continuavam 26 pessoas desaparecidas. Felizmente, acidentes como estes, não são tão comuns, porém, quando ocorrem causam incontáveis danos a natureza e à vidas humanas.

Vista aérea do reator 4 após a explosão na Usina em Chernobyl

Os exemplos citados sobre acidentes de trabalho nos mostram o quão importante é manter uma cultura de segurança dentro de determinados setores da indústria, nesses casos, priorizando principalmente a capacitação dos operários e a implantação de procedimentos operacionais e administrativos efetivos para que falhas não acarretem em grandes desastres ambientais e sociais.

Conclusão

Chegando até aqui já deu pra ter uma noção do quão importante as indústrias são e o que uma mudança em como elas funcionam é capaz de fazer com a sociedade. Além disso, já deu pra ver o tamanho da importância da SST na indústria e de como uma cultura de segurança pode evitar grandes tragédias.

Agora você já sabe tudo sobre indústria e da importância de manter esses ambientes seguros, as indústrias sempre farão parte de nosso cotidiano e é importante ter um conhecimento sobre elas!

Nesse post ficamos por aqui, aguardamos você para o próximo!

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