Ações que reduzem a perda auditiva dos colaboradores

Em 2015, 14% da população do Brasil apresentou problemas de audição, conforme pesquisas realizadas pelo Organização Mundial da Saúde (OMS). O ruído ocupacional é considerado o agente físico nocivo mais comum encontrado nos ambientes de trabalhos das nossas industriais.

A nossa Equipe OnSafety preparou um painel com as estatísticas registradas no INSS e publicadas pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho – SmartLab, relacionadas com doenças auditivas (CID H90, H91, H92, H93 e H95).

Painel doenças auditivas

A elevada exposição do colaborador aos sons intensos nas nossas indústrias está provocando um agravo à própria saúde. A essa exposição também podemos somar maus hábitos como, por exemplo, ouvir música alta em fones de ouvido, carros, trio elétricos, shows, infecção no ouvido, entre outros.

A perda auditiva dos colaboradores ocasionada no ambiente ocupacional está relacionada principalmente pela exposição de altos níveis de ruído. Mas não é o único agente causador da doença ocupacional.

Vibrações de britadeiras, o calor das caldeiras e vários produtos químicos tóxicos como solventes orgânicos, metais pesados e combustíveis também podem afetar a audição. Quando esses fatores estão associados, o risco de perda auditiva se torna ainda maior.

Considera-se Perda Auditiva Ocupacional (PAO), propriamente dita, o dano ao aparelho auditivo de um ou dos dois ouvidos lesionados decorrentes de fatores relacionados ao ambiente de trabalho, dependendo da frequência de exposição, intensidade, dose do produto químico e tempo que o colaborador fica exposto.

Operadores de máquinas, mineradores, metalúrgicos, siderúrgicos e pedreiros são alguns exemplos de profissionais que ficam expostos a risco de perda auditiva. Além disso, a literatura associa que a exposição ocupacional ao ruído e um agente causador de acidentes de trabalho.

Perda Auditiva e Segurança do Trabalho

O colaborador que é exposto a ruídos deve fazer obrigatoriamente exame de audiometria no admissional, periodicamente a cada seis meses e no demissional

Além disso, nos casos que ultrapassam os limites de tolerância auditiva devem ser aplicadas medidas preventivas como:

  • Uso e Controle de EPI, veja aqui, uma matéria que preparamos para melhorar o processo de controle e entrega de EPI.
  • Redução da fonte de ruído.
  • Diminuição do tempo ou do nível de exposição.
  • Exames auditivos.
  • Treinamento dos colaboradores.
  • Monitoramento dos níveis de ruído.

A Norma Regulamentadora – NR 15 destaca que o limite de tolerância é de 85 dB e se refere ao ruído contínuo, cuja jornada de trabalho é de até 8 horas. Para ocupações que excedem este limite, o turno de trabalho deve ser reduzido pela metade conforme o aumento de cada 5 dB – utilizando como parâmetro o limite de 85 dB.

Ou seja, ambiente cuja medição é de 90 dB, a jornada de trabalho deve ser de apenas 4 horas (240 minutos). Isso apenas reduz a quantidade de horas trabalhadas, não excluindo o uso de EPI, que continua obrigatório, principalmente porque aumenta-se o risco de exposição.

Destacamos no gráfico, os limites de tolerância (máxima exposição diária permanente, minutos) para ruído (dB), citados no Anexo I da NR 15 para entender melhor a necessidade de monitorar o ambiente de trabalho. Fique atento que a medida que aumenta o ruído ocupacional mais medidas preventivas devem ser adotadas pelos profissionais da área de Segurança e Saúde Ocupacional.

Gráfico limite de tolerância de ruído continuo ou intermitente

Locais onde é preciso gritar para ser ouvido demonstram que a intensidade do som está afetando o desempenho do trabalho e também devem ser adotadas medidas de proteção. Outro sinal que requer atenção é quando o colaborador sente os ouvidos zumbirem após o expediente.

Vale ressaltar que sons que ultrapassam o limite de tolerância interferem também na saúde mental, aumentam a tensão psicológica, afetam a concentração do colaborador, provocam irritação e fadiga.

Impactos na Segurança do Colaborador e Financeiros

Além de afetar o aparelho auditivo e até a produtividade dos profissionais, o ruído pode atuar como um agente causador indireto de acidentes de trabalho.

Barulho excessivo prejudica a comunicação, podendo acarretar distrações e comprometer o entendimento referente a orientações de trabalho. Prejudica também a escuta dos sinais de alarme em casos de emergência.

Caso haja alteração do histórico de saúde do colaborador, onde os exames comprovam a perda auditiva como causa de doença do trabalho, a empresa é responsável por indenizar esse funcionário.

Além disso, os prejuízos para a empresa podem aumentar. A comunicação de CAT vai interferir negativamente no Cálculo do FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e, consequentemente, aumentar a alíquota do imposto RAT (Risco de Acidente de Trabalho).

 

Veja as Recomendações para REDUZIR o Afastamento por doença na sua empresa.

Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) e outras Doenças Auditivas

Conforme a CID 10-H 83.3, a PAIR é uma doença ocupacional caracterizada pela diminuição gradual da audição, por ocasião de exposição continuada a níveis elevados de ruído no ambiente laboral. É sempre neurossensorial, irreversível e não progressiva, quando há eliminação da exposição ao ruído.

A PAIR é associada ao zumbido ou “a uma ilusão auditiva que não está relacionada com uma fonte externa de estimulação”, conforme citado nos trabalhos científicos de especialistas. É identificada por meio de um conjunto de procedimentos como anamnese clínica e ocupacional, avaliação audiológica e outros testes complementares, quando necessário.

Dentre os sinais e sintomas que caracterizam a PAIR, podemos citar:

  • Percepção de diminuição da capacidade auditiva.
  • Zumbido.
  • Dificuldade do entendimento da fala.
  • Intolerância a sons mais elevados.
  • Dificuldades em localizar a fonte de soma.
  • Dificuldade de atenção e concentração durante realização de tarefas.
  • Dor de cabeça.
  • Tontura.
  • Isolamento.
  • Alterações do sono.
  • Ansiedade e irritabilidade

Ações para Reduzir a Perda Auditiva

As medidas preventivas destacadas nas NR’s 15 colaboram e são básicas para a proteção auditiva dos colaboradores. Outras ações que podemos realizar em um ambiente de trabalho com o objetivo de prevenir a perda auditiva estão:

      1. Instalar ferramentas, máquinas e equipamentos com os menores níveis de ruído possíveis;
      2. Assegurar a manutenção e lubrificação diária adequada das máquinas e equipamentos;
      3. Instalar barreiras acústicas (no teto, nas paredes) ou cortinas abafadoras entre as fontes de ruído e os funcionários do ambiente de trabalho;
      4. Divulgar orientações sobre quanto tempo um colaborador / trabalhador pode ficar exposto a uma fonte de ruído;
      5. Operar máquinas com um excessivo ruído durante os períodos que tiver o menor número de colaboradores expostos;
      6. Projetar um ambiente onde os colaboradores possam permanecer sem ruído e descansar antes de retornar à ocupação onde ficam expostos ao ruído ocupacional. Vale ressaltar que a disposição dos postos de trabalho onde há fontes de ruído devem ser planejados de modo a ficarem afastados de ocupações que exigem atividades mentais.

Pesquisas realizadas também indicam que é fundamental investir em programas de conservação auditiva que controlem a emissão de ruídos na fonte, isto é, nas máquinas, equipamentos, ferramentas, ambientes de trabalho, etc. São ações preventivas que permitirão reduzir as perdas auditivas do trabalhador geradas pela exposição ao ruído.

 

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