
Desde a notícia da atualização da NR 01 com a inclusão dos riscos psicossociais no GRO, os TSTs estão se desdobrando para colocar medidas preventivas relacionadas com a saúde mental. Inclusive, diversas medidas são bem conhecidas de nossa área e podem contribuir com uma prevenção mais efetiva para esse tipo de risco ocupacional, especificamente, a ergonomia e os riscos psicossociais sempre andaram lado a lado.
Dados do Observatório de SST no Brasil (SmartLab) demonstram que, em 2024, houve um crescimento significativo de 66% no número de concessões de benefícios associados à saúde mental, acidentários e comuns ((B91 + B31), que nesse ano foram 471.649 concessões. Entre as principais razões estão as reações ao stress, episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtorno afetivo bipolar.
São afastamentos de trabalhadores que estão ocorrendo em diferentes setores econômicos como, por exemplo, na administração pública, setor financeiro, ambiente hospitalar, teleatendimento, transporte rodoviário, comércio varejista, limpeza, construção de edifícios, etc.
Os impactos podem ser medidos a partir do número de dias perdidos de vida saudável e de atividade produtiva por problemas de saúde mental, que em 2024, acumularam 1,45 milhão por acidente e 44,4 milhões por doença.
Na área de ergonomia as principais análises conhecidas são a AEP e AET e que desempenham um papel crucial na saúde ocupacional dos colaboradores. Neste contexto, destacamos que a ergonomia e os riscos psicossociais são temas integrados, pois a falta de cuidados ergonômicos impacta diretamente na saúde mental.
Para trazer este paralelo entre uma novidade e uma prática já consolidada na SST, preparamos este artigo que você pode conferir a seguir.
A ergonomia e os riscos psicossociais
Os riscos psicossociais são riscos que afetam a saúde mental de um colaborador, sendo originados muitas vezes por fatores organizacionais, comportamentais e até mesmo decorrentes das condições físicas do ambiente de trabalho.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que os riscos psicossociais são provenientes de problemas na organização do trabalho. A carga de trabalho exagerada, falta de autonomia, cobrança excessiva, trabalho precário, insegurança no emprego, entre outros, são fatores que terminam expondo os trabalhadores aos riscos psicossociais.
Outros fatores são os psicodinâmicos que são relacionados com o ambiente de trabalho como, por exemplo, conflitos com colegas de trabalho, assédio moral e o assédio sexual, a discriminação, falta de reconhecimento, entre outros.
Os riscos psicossociais também estão intrinsicamente relacionados com as condições ambientais inadequadas. Neste caso, o ruído excessivo, a iluminação inadequada, problemas na ergonomia, o calor extremo, entre outros, também são fatores que prejudicam a saúde mental do trabalhador.
No ambiente de trabalho, a ergonomia e os riscos psicossociais estão relacionados e para evitar afastamentos, problemas na saúde mental dos trabalhadores, devemos adotar práticas que promovem a ergonomia, ou seja, melhoram as condições ambientais de trabalho e até mesmo problemas de organização.
Atenção as condições do ambiente de trabalho
Imagine o quão estressante é trabalhar em um ambiente quente, sem ventilação, com barulho de máquinas constantes e ainda mais sentado em uma cadeira de madeira nada confortável. Com análises ergonômicas, ações podem ser tomadas para que este ambiente receba uma boa ventilação, os trabalhadores sejam conscientizados sobre o uso de protetores auditivos e ao mesmo tempo tenham acesso e recebam investimento para manutenção e renovação de móveis adequados aos parâmetros ergonômicos dos trabalhadores.
Ou seja, é indispensável entender que o corpo e a mente estão completamente ligados. Um ambiente de trabalho onde pouco se faz pela ergonomia física tem um impacto direto na saúde mental:
- Posturas e Postos Inadequados: Dores constantes e desconforto físico são estressores potentes. O esforço para compensar um mobiliário ruim ou uma postura forçada consome energia mental, gerando fadiga cognitiva, irritabilidade e frustração;
- Desvalorização: A percepção de que a empresa não se preocupa com o seu conforto físico pode levar o colaborador a se sentir desmotivado e desvalorizado, intensificando o estresse psicossocial.
Ou seja, um risco ergonômico físico não corrigido se transforma rapidamente em um fator de risco psicossocial.
A AET como aliada
A AET, ou Análise Ergonômica do Trabalho é um conjunto de técnicas que têm como objetivo identificar erros na relação do homem com seu instrumento de trabalho e corrigi-los, para que essa relação seja o menos nociva possível para a saúde do trabalhador, analisando alguns tipos de ergonomia, que são:
- Ergonomia Física: Relacionada a posturas, esforços, e movimentação de materiais;
- Ergonomia Cognitiva: Relacionada à exigência mental, tomada de decisão e processamento de informações;
- Ergonomia Organizacional: Relacionada ao ritmo, às regras de produção, aos turnos, às pausas e à comunicação.
É nesta análise integrada do Físico, Cognitivo e Organizacional que a AET atua.
Como a AET melhora a relação entre ergonomia e os riscos psicossociais?
Ao identificar, analisar e propor ações corretivas nos fatores organizacionais, cognitivos e na interação homem-instrumento de trabalho, a ergonomia garante que os riscos psicossociais sejam devidamente identificados e mitigados.
Uma gestão de riscos eficaz é aquela que reconhece a interdependência entre a dor nas costas causada por uma postura inadequada e o esgotamento mental gerado por um ritmo de trabalho exagerado.
Como tudo na SST, a ergonomia não é um custo, mas um investimento. Ao cuidar da ergonomia, a empresa também passa a proteger a saúde mental de seus colaboradores, assim, a empresa reduz o absenteísmo, presenteísmo, o turnover e os custos com afastamentos, além de construir uma cultura de segurança que motiva a produtividade e o engajamento.

