
Para quem trabalha diariamente com SST e com produtos químicos, a FISPQ sempre foi um documento fundamental no processo de gerenciamento de riscos. No entanto, o cenário da segurança química no Brasil passou por uma importante atualização e agora é necessário muita atenção entre duas siglas: FISPQ e FDS.
A Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) sempre foi utilizada para a gestão dos riscos químicos dentro das empresas, no entanto em 2025, a publicação da NBR 14725:2023 Versão Corrigida 2:2025, publicada pela ABNT, substituiu a antiga FIPSQ pela FDS (Ficha de Dados de Segurança).
A nova documentação dos produtos químicos perigosos passa a conter informações sobre critérios para a classificação dos perigos físicos, à saúde humana e ao meio ambiente de um produto químico, novas regras para a rotulagem de pequenas embalagens, exigências de mais dados e justificativas técnicas para as classificações.
A FDS mantém as dezesseis seções da antiga FISPQ, mas com importantes atualizações sobre a identificação da empresa, identificações de perigos das substâncias químicas no ambiente de trabalho, composição e informações sobre os ingredientes, propriedades físicas e químicas dos produtos, além do manuseio, armazenamento, transporte, primeiros socorros e combate a incêndios.
Para tratar sobre este assunto e explicar o que mudou entre FISPQ e FDS montamos este conteúdo que você pode conferir abaixo.
FISPQ x FDS: O que mudou?
A principal e mais evidente alteração é a mudança de nome. Em essência, a FISPQ = Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos passou a ser substituída pela FDS = Ficha de Dados de Segurança.
Essa alteração não é apenas pela estética, mas sim para alinhar o Brasil aos padrões internacionais, especialmente o GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos). FDS é a tradução mais próxima do termo em inglês SDS (Safety Data Sheet), usado em países como Estados Unidos e na União Europeia.
Ambos os documentos têm o mesmo objetivo: comunicar de forma clara e completa os riscos de determinado produto químico e fornecer as medidas de segurança e precaução necessárias no seu manuseio, transporte, armazenamento e descarte.
No entanto, a mudança de FISPQ para FDS não foi apenas questão de nomenclatura. A nova versão da NBR 14725 trouxe exigências de detalhamento e conformidade mais rigorosas:
- Adoção da 7ª Edição do GHS: A nova FDS é elaborada em conformidade com a versão mais recente do GHS, o que implica na atualização dos critérios de classificação de perigos;
- Novas Classes de Perigo: Houve a inclusão de novas classes de perigo físico, como “Explosivos dessensibilizados” e “Perigoso à camada de ozônio”;
- Atualização de Frases: As Frases de Perigo (Frases H) e as Frases de Precaução (Frases P) foram revisadas e atualizadas para refletir o GHS mais recente, tornando a comunicação dos riscos mais precisa;
- Estrutura de 16 Seções Mantida: Embora o conteúdo seja mais detalhado, a estrutura de 16 seções que existia na FISPQ, foi mantida na FDS para facilitar a rápida consulta das informações críticas em caso de emergência.
Por que a FDS é um avanço?
A uniformização da documentação química traz benefícios significativos:
- Melhor compreensão: A FDS, com critérios de classificação mais atualizados e frases padronizadas, facilita o entendimento dos riscos por parte dos usuários finais.
- Segurança no comércio internacional: Ao se alinhar ao padrão do GHS, o Brasil simplifica o processo de importação e exportação de produtos químicos, já que os documentos se tornam imediatamente reconhecíveis em outros países.
- Gestão de riscos melhorada: O maior detalhamento exigido pela FDS garante que as empresas e os trabalhadores tenham informações mais robustas para a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e danos ambientais.
A atualização da documentação dos produtos químicos perigosos é uma fundamental para garantir mais informações sobre os riscos dos produtos químicos para a saúde e segurança dos trabalhadores, ambientes de trabalhos e para a proteção do meio ambiente de trabalho no Brasil.





