
O trabalho em espaços confinados está entre os mais perigosos e onde mais temos a ocorrência de acidentes graves e fatais. Para que esse perigo diminua, trabalhos neste tipo de ambiente só devem ser liberados por meio das PETs e após o teste de atmosfera.
Devido às suas características, os espaços confinados tem altos riscos, além de quedas, engolfamento, entre outros, existem também os que envolvem sua atmosfera, como asfixia, explosão, altas concentrações de agentes químicos, entre outros. Portanto, antes que qualquer trabalhador adentre algum destes espaços, o teste de atmosfera deve ser realizado para garantir uma operação segura.
Para explicar melhor como esse teste funciona, montamos este blog que você pode conferir abaixo.
O que é o teste de atmosfera?
O teste de atmosfera é um procedimento técnico e obrigatório para avaliar a qualidade do ar do espaço confinado antes e durante a atividade de trabalhadores. Usando detectores de gases calibrados, o teste verifica níveis seguros de oxigênio (entre 19,5% e 23%, segundo a NR 33), a ausência de gases inflamáveis e a concentração de vapores tóxicos.
Como realizar o teste de atmosfera?
O teste de atmosfera deve ser realizado por equipamentos devidamente calibrados e certificados. O equipamento utilizado é um monitor de gases, um aparelho específico para detecção de gases com sensores bem sensíveis.
Antes de iniciar o teste, é essencial se certificar:
- Que ele tenha um parâmetro: Ele deve ser inicialmente ligado fora do espaço confinado, onde há ar limpo e fresco para que ele tenha isso como parâmetro;
- Que ele tenha a mangueira: O aparelho deve ter a bomba de sucção acoplada a uma mangueira, para que o ar de dentro do espaço confinado seja puxado até os sensores.
Com o equipamento devidamente preparado é hora de fazer o teste inicial, pois o teste de atmosfera deve ser realizado antes da entrada dos trabalhadores e durante. Para o teste inicial, o procedimento correto é:
- Medição por níveis: Coloque a ponta da mangueira no topo do espaço, depois no meio e por fim no fundo. Os gases possuem densidades diferentes e podem se acumular em diferentes altitudes, por isso a medição deve ser feita assim, para garantir a segurança e evitar surpresas com gases não detectados;
- Tempo de espera: Não mova a mangueira rápido demais. Espere alguns segundos em cada altitude para que o ar percorra o tubo e o medidor processe a leitura;
- Ordem correta: Para garantir um teste preciso, o teste deve seguir a ordem:
- Oxigênio: Primeiro, verifica-se se há oxigênio suficiente (de 19,5% e 23%). A maioria dos sensores de gases inflamáveis precisa de oxigênio para funcionar corretamente;
- Gases Inflamáveis: Verificação do LEL (Limite Explosivo Inferior).
- Gases Tóxicos: Identificação de substâncias específicas dependendo do histórico do local.
- Liberação: Se o monitor ficar “verde” ou não apitar, a entrada está autorizada.
Este primeiro passo descrito é o teste inicial da atmosfera, após ele, o monitoramento ainda deve acontecer enquanto houver trabalhadores dentro do espaço, pois a atmosfera é um objeto de análise volátil e as concentrações de gases estarão em constante mudança.
O simples fato de você respirar lá dentro, ou o uso de uma ferramenta que solta faísca e fumaça, pode mudar a qualidade do ar rapidamente.
Além disso, dependendo do serviço que for ser realizado dentro do espaço, mais gases podem ser liberados, como em serviços de solda ou aplicação de produtos químicos, por exemplo.
Para o um teste completo e seguro, o monitoramento deve seguir da seguinte maneira:
- O trabalhador que entrar deve levar o monitor preso ao corpo, na altura do peito de preferência para ficar perto de onde respira, ou o monitor tem que estar próximo a ele de alguma forma, se não for possível que leve no corpo;
- O vigia também pode manter um aparelho com a mangueira em funcionamento para alertar o trabalhador, caso as condições mudem em locais distantes do trabalhador;
- Se o aparelho apitar indicando níveis inseguros, o trabalhador deve sair imediatamente e somente depois de sua saída a medição deve ser conferida com mais afinco.
Por que realizar o teste?
Espaços confinados não foram projetados para ocupação humana contínua. Por isso, podem apresentar:
- Falta de Oxigênio: Causada por oxidação das paredes, como o caso de silos, decomposição orgânica ou substituição por outros gases;
- Gases Tóxicos: Presença de gás sulfídrico (H2S), monóxido de carbono (CO) ou vapores químicos;
- Atmosferas Explosivas: Acúmulo de gases inflamáveis que podem entrar em ignição com uma simples faísca.
- Obrigatoriedade: A NR 33 que rege os trabalhos em espaços confinados trata o teste de atmosfera como uma obrigatoriedade, sem ele, não devemos ter a liberação da PET.





